Susi dos anos 90
A Susi dos anos 90 é outra boneca. Quando a Estrela relançou a marca em 1996, onze anos depois de encerrar a linha clássica, o que voltou às lojas foi um produto novo com um nome antigo: molde de rosto diferente, olhar frontal, maquiagem mais marcada, corpo revisto e um guarda-roupa alinhado à estética da década. Quem espera reencontrar a boneca de 1970 com roupa nova encontra outra coisa.
Isso não a torna irrelevante — torna-a uma categoria própria. Hoje ela ocupa a base do colecionismo de Susi: mais barata, mais disponível e comprada por quem tem trinta e poucos anos e brincou com essa versão, não com a dos pais.
Por que a Estrela trouxe a Susi de volta em 1996
O cenário tinha mudado por completo desde 1985. A abertura comercial do início dos anos 1990 derrubou as barreiras que protegiam o brinquedo nacional, e prateleira brasileira passou a conviver com produto importado em escala inédita. Encerrado o acordo que fazia a Estrela produzir a Barbie sob licença no Brasil, a empresa ficou livre para voltar a ter uma boneca-manequim própria — só que agora competindo de verdade, num mercado sem reserva.
A escolha de reviver a Susi em vez de criar um nome novo foi estratégica: a marca já tinha reconhecimento em duas gerações de mães. O relançamento apostou nesse duplo endereço — a criança comprava a boneca da moda, a mãe reconhecia o nome da própria infância. Foi a mesma lógica que a Estrela usou em outros produtos da década, período em que a empresa emplacou febres como a Fofolete.
O que mudou no rosto e no corpo
A diferença mais imediata está nos olhos. A Susi clássica tem a íris pintada voltada para o lado — o olhar de esguelha que virou assinatura da fase de 1966 a 1985. A Susi de 1996 olha para a frente. Só isso já separa as duas em um segundo.
O restante do rosto acompanha: molde maior, olhos mais abertos, boca mais desenhada, sobrancelha mais definida, maquiagem com mais contraste. É a estética de boneca-manequim dos anos 1990, mais próxima do que se via nas linhas internacionais da época do que da contenção do desenho original.
No corpo, a mudança é de material e articulação. As versões dos anos 1990 costumam usar plásticos mais macios e flexíveis nos membros e trazem mais pontos de dobra do que boa parte das bonecas da primeira fase, cuja rigidez é um dos marcadores descritos no guia da Susi primeira fase. Na prática, a boneca dos anos 90 posa melhor e parece mais leve na mão.
Ao pesquisar essa fase, evite listas que apresentam nomes de modelos e anos de lançamento de conjuntos específicos como se fossem catálogo oficial. A documentação pública do relançamento é fragmentada. O que se afirma com segurança é o marco de 1996, a troca do molde de rosto e o fato de que houve várias linhas temáticas ao longo do período. Para o resto, compare embalagens reais.
As linhas temáticas e o guarda-roupa da década
O relançamento seguiu o padrão de mercado dos anos 1990: em vez de uma boneca única com roupas avulsas, várias versões temáticas vendidas já vestidas — looks de festa, praia, esporte, noiva, profissões, personagens sazonais. É um modelo que reduz a compra recorrente de roupinhas e aumenta a compra de bonecas inteiras.
As roupas acompanham o vocabulário visual da década: jeans claro, cropped, tecidos sintéticos leves, cores em bloco, brilho, acessórios plásticos coloridos. São imediatamente distinguíveis das peças de tafetá e algodão fino da fase clássica, cujos critérios de identificação estão em roupas da Susi. Roupa de uma fase em boneca da outra costuma ficar evidente: cai mal e destoa no acabamento.
Quanto valem e como estão no mercado hoje
Bem menos que as clássicas, e por motivos objetivos. Circularam muitas unidades, elas têm apenas três décadas, e boa parte das compradoras originais ainda não entrou na fase da vida em que se recompra a infância. Na prática, em 2026 uma Susi dos anos 90 fora da caixa e em bom estado fica entre R$ 60 e R$ 180; lacrada ou com embalagem preservada, entre R$ 200 e R$ 500 — faixas que se encaixam na tabela comparativa de Susi antiga: quanto vale.
Há dois cuidados específicos dessa fase. O primeiro é o plástico macio dos membros, que amarela e às vezes fica pegajoso quando guardado em calor e umidade — problema mais comum nessas bonecas do que nas antigas. O segundo é a embalagem: caixas dos anos 1990 com visor plástico grande deformam e trincam com facilidade, e uma caixa amassada derruba boa parte do prêmio de estar lacrada.
O lugar dessa fase no colecionismo
Para quem coleciona a sério, a Susi dos anos 90 tem três funções claras. É a porta de entrada barata: dá para montar um conjunto respeitável gastando o que custaria uma única boneca de primeira fase. É o material de comparação: ter as duas fases lado a lado é a maneira mais rápida de aprender a diferenciar molde, pintura e plástico. E é a fase em que ainda se acha peça na caixa, o que quase não acontece com a linha clássica.
Como aposta financeira, é exatamente isso: uma aposta. A valorização até agora foi modesta, e depende de um movimento geracional que pode ou não acontecer nos próximos dez anos. Quem compra por afeto acerta sempre; quem compra esperando multiplicar valor deveria antes estudar as outras fases da boneca Susi e entender onde o dinheiro do colecionismo realmente está.
Vale registrar o que essa fase representa historicamente: a Susi de 1996 é a tentativa de uma marca brasileira de disputar, em mercado aberto, um espaço que ela havia dominado sem concorrência por quase vinte anos. É um capítulo diferente da rivalidade tratada em Susi vs Barbie — agora sem reserva de mercado e com as duas bonecas na mesma prateleira.
Perguntas frequentes
A Susi dos anos 90 é a mesma boneca de 1966?
Não. O relançamento de 1996 usou molde de rosto novo, com traços maiores, olhar frontal e maquiagem mais marcada, além de corpo e proporções diferentes. É outro produto usando um nome com trinta anos de memória embutida. Colecionadores tratam as duas fases como categorias separadas.
Quanto vale uma Susi dos anos 90?
Em 2026, algo entre R$ 60 e R$ 180 para exemplares fora da caixa em bom estado, e de R$ 200 a R$ 500 para bonecas lacradas ou com embalagem preservada. É uma fração do que valem as de primeira fase, porque circularam muito mais unidades e a idade delas ainda é pequena para o colecionismo.
Como diferenciar uma Susi dos anos 90 de uma clássica?
Comece pelos olhos. A clássica tem a íris pintada voltada para o lado; a dos anos 90 olha para a frente. O rosto do relançamento também é maior e mais expressivo, a maquiagem é mais forte e o corpo costuma ser mais articulado e feito em plástico mais macio.
Vale a pena colecionar a Susi dos anos 90?
Vale, se o interesse for afetivo ou se você quiser montar uma coleção completa sem gastar muito. É a porta de entrada mais barata do universo Susi e ainda aparecem exemplares na caixa. Como investimento, é aposta: valorizou pouco até agora e depende de a geração que brincou com ela começar a recomprar.